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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre o lince-ibérico

O lince-ibérico (Lynx pardinus) é o maior felino de Portugal, onde começou a ser reintroduzido em 2015 e está ainda hoje ameaçado de extinção. Pode ser encontrado em especial no Parque Natural do Vale do Guadiana e áreas circundantes.

Quanto mede e pesa

Este mamífero mede 80 a 110 centímetros de comprimento corporal, entre 11 e 13 centímetros de cauda e ainda 60 a 70 centímetros de altura ao garrote. Este último conceito traduz-se na distância entre a base da pata e a região proeminente onde se unem as espáduas (região das omoplatas nos humanos) e é habitualmente usado para medir animais quadrúpedes. 

Quanto ao peso, varia entre 8 a 10 quilos no caso das fêmeas, e entre 11 e 15 quilos relativamente aos machos.

O que come

O lince-ibérico é especialistas em coelho-bravo, que pode representar entre 80 a 100% da biomassa consumida na sua dieta, mas pode também recorrer, como recurso secundário, a micromamíferos, ungulados selvagens e aves.

… e que animais é que o comem

Nenhum animal, uma vez que se trata de predadores de topo.

Onde vive

Em mosaicos de florestas mediterrânicas de bosque e matagal intercalados com pastagens naturais e artificiais. Este habitat é também favorável à ocorrência do coelho-bravo, que é a sua principal presa.

Quantos anos vive

Este mamífero pode viver até 16 anos.

Quantas ninhadas tem por ano e com quantas crias

O lince-ibérico tem uma ninhada por ano, com 2 a 3 crias, em média. A gestação dura cerca de dois meses.

Quais são as suas estratégias de caça

Espera, perseguição e captura. Este lince está adaptado a caçar animais que vivem em buracos e tocas, em relação aos quais a melhor estratégia é manter-se no solo quieto e agachado, à espera de que a presa se afaste o suficiente da entrada para não lhe dar tempo de fugir.

Onde se pode encontrar em Portugal

Os registos recentes de presença em Portugal correspondem aos locais de reintrodução – as primeiras libertações ocorreram em 2015 no Parque Natural do Vale do Guadiana e áreas circundantes – e a zonas próximas de expansão, ocorrendo reprodução natural desde 2016. Há também registos esporádicos noutras zonas do país, resultantes de movimentos dispersivos de indivíduos libertados e posteriormente fotografados ou atropelados em várias regiões.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

O facto de ser o maior felino de Portugal e por ser tão elegante e belo.

Qual o seu papel na manutenção de ecossistemas saudáveis

Controlar a abundância de outros predadores (como a raposa e o sacarrabos), diminuindo a pressão que existe sobre a sua principal presa, o coelho-bravo, que constitui também a principal presa de outras espécies igualmente ameaçadas como a águia imperial. Também ajuda na seleção dos exemplares mais sãos. 


Autor: Marta Dias

Marta Dias é membro da equipa do projecto do Livro Vermelho dos Mamíferos. É estudante de mestrado de Biologia da Conservação, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com particular interesse no grupo dos mamíferos carnívoros.

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LIFE LINES desenvolveu soluções para travar atropelamento de animais

Em cinco anos de projecto, a equipa implementou 35 acções para criar refúgios para plantas e animais e para atenuar o impacto das infraestruturas lineares na Biodiversidade.

Todos os anos, milhares de animais morrem em estruturas lineares de transporte e energia. São atropelados em estradas, colhidos em ferrovias, ou por colisão e eletrocussão em linhas elétricas de média e alta tensão.

Morcego (Pipistrellus sp.) atropelado. Foto: Luis Guilherme Sousa
Morcego (Pipistrellus sp.) atropelado. Foto: Luis Guilherme Sousa

Estas fatalidades são o impacte mais visível e expressivo das infraestruturas lineares na conservação das espécies, pondo em causa a viabilidade de muitas populações e aumentando o seu risco de extinção. Além disso, têm implicações diretas na segurança das pessoas, transporte e abastecimento de bens e serviços essenciais à sociedade.

É determinante procurar soluções que permitam atenuar ou mitigar estes efeitos, beneficiando a diversidade ecológica ao privilegiar a coexistência entre os ativos naturais e os interesses sociais. É uma condição crucial para salvaguardar o nosso legado às gerações vindouras.

O Projeto LIFE LINES – Rede de Infraestruturas Lineares com Soluções Ecológicas (LIFE14NAT/PT/001081) surgiu com o objetivo de contribuir para a criação de uma Infraestrutura Verde que promova refúgios para plantas e animais e o seu movimento seguro ao longo das infraestruturas lineares, assegurando os serviços dos ecossistemas e atenuando assim o impacte negativo das mesmas na biodiversidade.

Construção de um passadiço para adaptação de uma passagem hidráulica para conectividade e mitigação de atropelamentos. Foto Pedro Costa
Construção de um passadiço para adaptação de uma passagem hidráulica. Ação executada no âmbito do projecto LIFE LINES para promoção da conectividade e mitigação de atropelamentos. Foto: Pedro Costa

Coordenado pela Universidade de Évora em parceria com a Universidade de Aveiro e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as Câmaras Municipais de Évora e Montemor-o-Novo, a Infraestruturas de Portugal S.A., a MARCA – Associação de Desenvolvimento Local e a QUERCUS, o LIFE LINES foca-se na promoção e recuperação da biodiversidade numa área onde esta ainda se encontra bem preservada, mas que apresenta uma série de infraestruturas lineares que compõem um importante corredor de transporte e energia entre Portugal e Espanha, e que podem pôr em risco espécies animais e vegetais.

Ao longo de cinco anos de ensaio, avaliação e disseminação de práticas, foram implantadas 35 ações no âmbito do projeto, que constituem soluções demonstrativas e inovadoras a nível nacional e cuja eficácia é avaliada e ponderada, para que a sua replicação seja considerada em futuras empreitadas noutros contextos geográficos e para outras espécies.

As infraestruturas lineares de transporte, em particular as estradas, são um dos pontos mais explorados no âmbito deste projeto. Nesta área em particular, o LIFE LINES, desenvolveu uma Base de Dados Nacional de fauna atropelada e uma aplicação móvel para que o público possa contribuir de forma ativa para a recolha de dados. Estas são atualmente ferramentas disponíveis a uma audiência alargada que podem ser usadas para múltiplos fins, quer na estimativa dos impactes da estrada e avaliação da segurança rodoviária, quer como meio complementar de recolha de informação sobre a ocorrência e distribuição de espécies ao longo do território nacional.

Tem sido neste âmbito que o projeto tem colaborado com a revisão do Livro Vermelho dos mamíferos de Portugal continental, tendo sido já disponibilizadas cerca de 35.000 ocorrências de mamíferos por todo o país.

O projeto LIFE LINES (LIFE14 NAT/PT/001081) – Rede de Infraestruturas Lineares com Soluções Ecológicas, é co-financiado a 60% pelo programa LIFE – Natureza e Biodiversidade da Comissão Europeia.


Autor: Pedro A. Salgueiro (Gestor do projeto LIFE LINES)

Pedro Salgueiro é investigador no MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento e exerce funções de gestor do projeto LIFE LINES – Rede de Infraestruturas Lineares com Soluções Ecológicas (LIFE14 NAT/PT/001081). Os principais interesses focam-se nos padrões de distribuição de espécies e comunidades em paisagens modificadas, avaliação de impactes e reversão dos efeitos de degradação através de restauro ecológico.

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WildForests monitoriza mamíferos não voadores na região Centro

Quando pensamos em ambientes florestais de produção, nomeadamente em eucaliptais, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a de um sistema antrópico focado na produção de madeira para o fabrico de pasta e papel, onde os valores de biodiversidade são escassos ou inexistentes.

Esta assunção é generalizada, abrangendo diversos níveis da diversidade biológica, incluindo os mamíferos.

No entanto, e apesar de Portugal ter a maior área de plantação de eucalipto da Europa, e proporcionalmente à dimensão do país, uma das maiores do mundo, o real impacto destas plantações nos mamíferos é grandemente desconhecido.

Eucaliptal na zona centro de Portugal onde o projeto WildForests está a ser implementado - © WildForests
Eucaliptal na zona centro de Portugal onde o projeto WildForests está a ser implementado. Foto: WildForests

A completa ausência de dados cientificamente válidos e espacialmente robustos relativos aos padrões de uso dos eucaliptais por mamíferos terrestres, e aos determinantes ambientais desse uso, limita a definição de planos de gestão para compatibilizar a produção com a preservação de valores naturais.

Norteado por esta lacuna de conhecimento surgiu, em 2018, o projeto “WildForest – Conservação de vida silvestre e florestas de produção: necessidade de uma relação bidirecional em paisagens sustentáveis”, que tem como objetivos: 1) avaliar o potencial das plantações de eucalipto como ferramentas complementares de conservação geridas de forma sustentável; e 2) aferir o papel dos mamíferos na manutenção de plantações de eucalipto sustentáveis, certificadas e ecologicamente funcionais.

Fuinha (Martes foina) fotografada num Eucaliptal do centro de Portugal - © WildForests
Fuinha (Martes foina) fotografada num Eucaliptal do centro de Portugal. Foto: WildForests

O projeto – implementado por um consórcio que integra a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Universidade de Aveiro e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) – baseia-se essencialmente na monitorização da comunidade de mamíferos não voadores com recurso a técnicas de armadilhagem fotográfica (i.e. fotografia automática acionada por sensores de movimento/calor).

O trabalho do WildForests foca-se na região centro de Portugal e abrange áreas de eucaliptal (seis sítios localizados nos concelhos de Penamacor, Góis, Pampilhosa da Serra e Mortágua) e zonas naturais (duas zonas nos concelhos da Lousã e Penamacor), e conta com o apoio logístico da The Navigator Company.

O projeto confirmou que um número apreciável de espécies usa os eucaliptais, que compreendem diversos grupos taxonómicos, incluindo ungulados (javali, corço, veado e gamo), carnívoros (raposa, fuinha, texugo, geneta e sacarrabos), herbívoros de pequeno tamanho (coelho e lebre), roedores (ex. esquilo-vermelho e ratos) e insectívoros (musaranhos e ouriço cacheiro).

Javalis capturados numa armadilha fotográfica instalado num eucaliptal do centro de Portugal - © WildForests
Javalis (Sus scrofa) capturados numa armadilha fotográfica instalado num eucaliptal do centro de Portugal. Foto: WildForests

O elevado número de fotografias obtido (> 2276 fotografias independentes; i.e. > 30m de intervalo), permitiu verificar que, apesar de usarem os eucaliptais, muitas destas espécies têm abundâncias mais elevadas nas zonas naturais, o que indicia que os eucaliptais não são os habitats preferidos destes mamíferos. No entanto, atendendo a que o objetivo destas áreas é a produção intensiva e não a conservação da biodiversidade, a verdade é que um número razoável de espécies usa estes sistemas alterados. Isto leva-nos a pensar que se os mesmos forem geridos de uma forma sustentável podem ter um papel complementar na conservação de algumas espécies de mamíferos e assim gerar serviços de ecossistemas.

Raposa (Vulpes vulpes) detetada nas armadilhas fotográficas instaladas num área de Eucaliptal do centro de Portugal - © WildForests
Raposa (Vulpes vulpes) detetada nas armadilhas fotográficas instaladas num área de Eucaliptal do centro de Portugal. Foto: WildForests

Esta elevada produção de informação que foi gerada no decorrer do WildForests permitiu fornecer ao projeto de Revisão do Livro Vermelho de Mamíferos de Portugal um conjunto considerável de dados que ajudará a atualizar o estatuto de ameaça e o estado de conservação, mas também obter uma distribuição mais real dos mamíferos terrestres no território nacional.


Autores:

Carlos Fonseca (IR, CESAM/UA/ForestWISE), é o coordenador do projecto, professor Associado com Agregação da Universidade de Aveiro, investigador do CESAM, CTO do Laboratório Colaborativo ForestWISE, e especialista na gestão e conservação de ungulados.

Luís Miguel Rosalino é o co-coordenador do projecto, professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, investigador do cE3c, especialista na gestão e conservação de carnívoros e perito convidado do projecto.

Daniela Teixeira é estudante de Doutoramento da Universidade de Aveiro, investigadora do CESAM e membro da equipa do projecto WildForests, com particular interesse no estudo dos mamíferos carnívoros.

Nuno Negrões é investigador da Universidade de Aveiro e do CESAM, membro da equipa do projecto WildForests e especialista na gestão e conservação de carnívoros.

O WildForests (ref.POCI-01-0145-FEDER-028204) é suportado financeiramente pelo FEDER, através do COMPETE2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI), e por fundos nacionais (OE), através da FCT/MCTES.

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Uma noite de surpresas à procura de morcegos na Mata da Margaraça

No âmbito da Revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, a equipa do Bat Ecology Group (BATECO) – CIBIO/InBIO realizou, durante 2020, várias saídas de campo para recolher informação sobre o estado das populações de morcegos em Portugal Continental.

Uma dessas saídas teve como objectivo a inventariação do Sítio de Importância Comunitária do Complexo do Açor, o qual inclui quatro áreas distintas: Mata da Margaraça, S. Pedro do Açor, Cebola e Fajão.

A equipa realizou uma noite de amostragem em cada área, mas foi a noite de 20 de julho que trouxe as maiores surpresas. Nesse dia dois dos membros do BATECO deslocaram-se à Mata da Margaraça, uma área de 68 hectares que se destaca pelos seus bosques caducifólios e por ser um dos poucos locais da Península Ibérica onde se podem encontrar bosques bem conservados de azereirais (Prunus lusitanica subsp. lusitânica), representando vestígios do que outrora foi a Laurissilva Continental.

Tendo em conta as características do local e a informação prévia, as expectativas da equipa eram elevadas. Mais ainda, porque muitas das espécies alvo desta revisão são aquelas que se encontram classificadas com Informação Insuficiente (DD) pelo anterior Livro Vermelho, e que incluem espécies arborícolas com ocorrência confirmada na Mata da Margaraça.

Local de captura na Mata da Margaraça ©Francisco Amorim
Local de captura na Mata da Margaraça. Foto: Francisco Amorim

O local escolhido para a colocação de redes de captura de morcegos foi um tanque com cerca de 54m2. Frequentemente os morcegos utilizam estas estruturas para beber água, e são por isso locais ideais para os capturar. A equipa começou a montagem das redes por volta das 17h, contornando o tanque e interceptando os acessos. Ao pôr do sol todas as redes se encontravam abertas e não foi preciso esperar muito tempo para que os primeiros indivíduos começassem a cair nas redes.

Até à hora de fecho das redes (1:30) a equipa não teve mãos a medir, tendo capturado 42 indivíduos, que foram mantidos em sacos e colocados em caixas adaptadas que os mantiveram protegidos da humidade e vento que se faziam sentir. Só já depois das redes fechadas foi possível processar os indivíduos, um trabalho minucioso que inclui identificação das espécies, determinação da idade e do sexo, recolha de biometrias e de material biológico.

Indivíduos capturados e colocados em caixas, ao abrigo do vento e humidade. Foto: Ricardo Rocha
Indivíduos capturados e colocados em caixas, ao abrigo do vento e humidade.
Foto: Ricardo Rocha

As expectativas não foram defraudadas. Com um total de 10 espécies capturadas (em Portugal continental ocorrem 27 espécies de morcegos) este foi um dos locais de maior diversidade de morcegos nas saídas de campo realizadas no âmbito da revisão do Livro Vermelho.

Como esperado, destacaram-se as espécies com maior afinidade aos bosques de folhosas e, embora o morcego-arborícola-pequeno (Nyctalus leisleri) tenha sido a espécie mais capturada (18 indivíduos), a grande surpresa da noite foi a captura de quatro indivíduos da espécie morcego-arborícola-gigante (Nyctalus lasiopterus). Com um número reduzido de capturas a nível nacional, a Mata da Margaraça foi o único local, dos 98 amostrados durante o ano de 2020 no âmbito da revisão do Livro Vermelho, em que esta espécie foi capturada.

O morcego-arborícola-gigante é uma espécie florestal tipicamente associada a florestas de folhosas bem desenvolvidas. É o maior morcego europeu, podendo chegar aos 50 centímetros de envergadura e, embora seja maioritariamente insectívoro, também se alimenta de pequenas aves. De acordo com o anterior Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal Continental, esta espécie está classificada como “Informação insuficiente” (DD).

Processamento de indivíduos para identificação, recolha de biometrias e amostras biológicas. Foto: Ricardo Rocha
Processamento de indivíduos para identificação, recolha de biometrias e amostras biológicas. A utilização de equipamento de proteção (máscara e luvas) segue as indicações do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, e tem como objetivo evitar uma eventual transmissão de SARS-COV-2 dos investigadores para os morcegos. Foto: Ricardo Rocha

No final da noite, e depois de processar e libertar todos os indivíduos, faltava desmontar as redes e guardar todo o material, um trabalho que só viria a estar terminado às 7h30, já com a neblina matinal e os primeiros raios de sol a revelarem toda a beleza deste local único que é a Mata da Margaraça.


Autor: Francisco Amorim

Francisco Amorim é membro da equipa do projeto do Livro Vermelho dos Mamiferos. É investigador pós doutorado do grupo de investigação Bat Ecology (BATECO) do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) onde desenvolve investigação em ecologia espacial com particular foco no grupo dos quirópteros.

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre o visão-americano

O visão-americano (Neovison vison) é uma espécie de mamífero que foi introduzida em Portugal, estando a sua presença confirmada no norte do país.

Quanto mede e pesa

A fêmea mede 32 a 37 centímetros de comprimento corporal e 13 e 20 centímetros de cauda, pesando entre 450 e 810 gramas. Já o macho tem um comprimento corporal de 32 a 45 centímetros e uma cauda com 16 a 23 centímetros, apresentando um peso que varia entre 840 gramas e 1,80 quilos.

O que come

Por ser um carnívoro oportunista e generalista, pode variar muito a sua dieta. Pode consumir presas aquáticas (peixes e lagostim), semi-aquáticas (aves aquáticas, anfíbios e mamíferos associados ao meio aquático) e terrestres (micromamíferos e lagomorfos).

… e que animais é que o comem

Outros carnívoros (como lobo ou raposa), aves de rapina e cobras (podem alimentar-se das crias).

Onde vive e por quantos anos

Por ser uma espécie generalista, altamente adaptável, o visão-americano ocupa habitats com características diferentes. Tem preferência por corpos de água (rios, lagos e lagoas) com vegetação ou rochas que sirvam de abrigo, próximas. Pode viver entre 3 a 4 anos.

Quantas ninhadas tem por ano e com quantas crias

Este mamífero tem 1 ninhada por ano, com 4 a 7 crias. Quanto ao tempo de gestação, prolonga-se cerca de 28 dias, mas pode no entanto variar entre 39 e 76 dias, devido à possibilidade de ocorrência de uma pausa no desenvolvimento dos embriões (diapausa embrionária).

Quais são as estratégias de caça

Salta sobre as presas, mordendo-as na parte de trás da cabeça ou na zona do pescoço.

Onde se podem encontrar em Portugal

A espécie foi introduzida em Portugal e tem a sua presença confirmada no norte do país.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

A sua audição apurada que lhe permite detetar vocalizações ultrassónicas de presas, como roedores.

Qual é o seu papel na manutenção de ecossistemas saudáveis

Nos locais onde é nativo, reduz o número das suas presas. Nos locais onde é introduzido, como acontece em Portugal, pode exercer atividade predatória sobre espécies nativas e competir com predadores nativos, particularmente com outros mustelídeos semi-aquáticos (lontra, toirão e visão-europeu).


Autor: Marta Dias

Marta Dias é membro da equipa do projecto do Livro Vermelho dos Mamíferos. É estudante de mestrado de Biologia da Conservação, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com particular interesse no grupo dos mamíferos carnívoros.

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre o veado

O veado (Cervus elaphus), que impressiona pelas suas hastes ramificadas de grandes dimensões, é uma presa importante para os lobos-ibéricos em Portugal.

Quanto mede e pesa

O macho tem um comprimento de 2,4 metros e uma altura ao garrote de 1,2 metros. Este último conceito traduz-se na distância entre a base da pata e a região proeminente onde se unem as espáduas (região das omoplatas nos humanos) e é habitualmente usado para medir animais quadrúpedes. 

Já o peso, no macho, varia entre 200 e 250 quilos. A fêmea pesam 150 quilos.

O que come…

O veado é um herbívoro relativamente pouco seletivo, comendo maioritariamente herbáceas. 

…e que animais é que o comem

Lobo-ibérico.

Onde vive e por quantos anos

Este mamífero pode ocorrer em variados habitats dado a sua plasticidade ecológica, sendo que em território português prefere florestas abertas, matos mediterrânicos ou montados, associados a prados ou clareiras dominadas por herbáceas. Pode viver 20 anos em cativeiro e até 13 anos selvagem.

Quantas ninhadas tem por ano e com quantas crias

Tem 1 ninhada por ano com 1 cria. O tempo de gestação prolonga-se por cerca de 235 dias, quase 8 meses.

Onde se pode encontrar em Portugal

Ainda que ocorrendo do norte a sul de Portugal, a sua distribuição é muito fragmentada. Os locais de ocorrência mais privilegiados encontram-se sobretudo ao longo da fronteira com Espanha, como nas serras de São Mamede, na zona do Tejo Internacional, no Nordeste Transmontano ou no interior do Alentejo.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

Os machos possuem hastes ramificadas com grandes dimensões.

Qual é o seu papel na manutenção dos ecossistemas saudáveis

O veado é uma importante espécie de presa para carnívoros como o lobo-ibérico em Portugal.


Autor: Ana Beatriz Duarte

Ana Beatriz Duarte é bolseira do Departamento de Biologia da Universidade da Universidade de Aveiro no âmbito do projeto de revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos, e estudante de mestrado em Engenharia Zootécnica na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre a baleia-piloto

Em Portugal, as baleias-piloto (Globicephala melas) são vistas com mais frequência na zona norte do país, na margem da plataforma continental.

Quanto medem

Os machos podem atingir os 6 metros de comprimento, enquanto as fêmeas atingem apenas 5 metros.

O que comem

A análise de conteúdos estomacais de baleias-piloto indicam que estas se alimentam principalmente de cefalópodes. Podem também alimentar-se de alguns peixes formadores de cardume.

Onde vivem e onde se podem encontrar em Portugal

A baleia-piloto está amplamente distribuída nas águas temperadas e subárticas no Atlântico Norte e do hemisfério sul, estando ausente em águas tropicais. As populações dos dois hemisférios estão separadas e alguns autores defendem a ocorrência de duas subespécies (melas no Atlântico Norte e edwardii no hemisfério sul).

É uma espécie oceânica com uma certa preferência por zonas de talude. No Atlântico Norte, a sua distribuição também parece relacionar-se com áreas com elevadas concentrações de clorofila e baixas temperaturas de água. A sua distribuição e movimentos parecem estar relacionados com a distribuição das suas presas.

Em Portugal, as baleias-piloto são vistas com mais frequência na zona norte do país, na margem da plataforma continental.

Quantos anos vivem e qual o seu ciclo de reprodução

No Atlântico Norte, a época de reprodução ocorre entre abril e setembro e a gestação dura 15 meses. As crias nascem com cerca de 1,5 a 2 metros, entre 70 e 80 kg de peso e são amamentadas durante 23 a 27 meses. A longevidade é estimada em 25 anos.

Principais ameaças

As principais ameaças a esta espécie são a captura acidental em artes de pesca e a exposição a contaminantes químicos.

Comportamento

As baleias-piloto são animais extremamente sociais apresentado um comportamento gregário, sendo possível encontrar grupos constituídos por centenas de indivíduos, embora o mais comum seja grupos com 10 a 20 animais. Estes grupos são baseados em linhas matrilineares.


Autora: Marisa Ferreira

Marisa Ferreira é membro da equipa do projeto do Livro Vermelho dos Mamiferos. É também membro da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem, co-coordenadora da Rede Regional (Norte) de Arrojamentos e do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, com particular interesse em mamíferos marinhos e a sua interação com atividades humanas.

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre a fuinha

A fuinha (Martes foina) é um mustelídeo que está presente em todo o território continental português, incluindo áreas urbanizadas.

Quanto mede e pesa

A fuinha pode ter um comprimento de 65 a 85 centímetros e pesar entre um a dois quilos.

O que come

Por ser um carnívoro oportunista e generalista, pode variar muito a sua dieta. Em Portugal, tem como principais fontes de alimento os frutos, os artrópodes e os micromamíferos.

… e que animais é que a comem

Sendo um mesopredador, este carnívoro terrestre serve de alimento a animais com dimensões superiores à sua, como aves de rapina e outros mamíferos (como a raposa ou o gato-bravo).

Onde vive

Por ser versátil e generalista, a fuinha utiliza diversos habitats, incluindo zonas humanizadas ou rochosas. Em Portugal, utiliza montados e sobreirais para repouso e deslocação, e campos cultivados e galerias ripícolas para se alimentar.

E durante quantos anos

Entre oito a dez anos, mas excepcionalmente vivem até aos 14 anos. Em certas circunstâncias, como a incidência de doenças, a competição com outros carnívoros (como a marta e a geneta) e a pressão predatória por outros mamíferos, a longevidade da espécie reduz-se para seis anos.

Quantas ninhadas tem por ano

A fuinha tem apenas uma ninhada por ano, com três a cinco crias. Possui implantação diferida, o que significa que o óvulo já fecundado circula livremente no útero até surgirem condições ambientais ou biológicas mais propícias, ocorrendo só então a implantação. Segue-se o período de gestação, que se prolonga por 55 a 60 dias.

Estratégias de caça

Este carnívoro ronda a sua presa, surpreendendo-a e atacando-a. Também usa a sua habilidade trepadora para aceder a ninhos de aves.

Onde se pode encontrar em Portugal

Por todo o país, excluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

O facto de aproveitar infraestruturas humanas para repouso e ser um dos poucos carnívoros que utiliza áreas urbanizadas, onde se pode alimentar de ratazanas com sucesso.

Qual o seu papel na manutenção de ecossistemas saudáveis

Por se alimentar de animais mais pequenos, muitas vezes considerados pragas, esta espécie tem um importante papel na sua exterminação (principalmente de ratos e ratazanas), tanto a nível doméstico como de explorações agrícolas. Tem também um papel de relevo na disseminação de sementes e caroços a curtas e longas distâncias, que sendo expelidos pelas fezes levam a um aumento da abundância e da diversidade da flora nessas zonas.


Autora: Marta Dias

Marta Dias é membro da equipa do projecto do Livro Vermelho dos Mamíferos. É estudante de mestrado de Biologia da Conservação, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com particular interesse no grupo dos mamíferos carnívoros.

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre o corço

Em Portugal, as populações de corço (Capreolus capreolus) dividem-se em dois grandes núcleos de distribuição geográfica, a norte e a sul do rio Douro.

Quanto mede e pesa

O corço apresenta um comprimento que varia entre 95 centímetros e 1,35 metros, com uma altura ao garrote que pode ir dos 63 aos 67 centímetros. Este último conceito traduz-se na distância entre a base da pata e a região proeminente onde se unem as espáduas (região das omoplatas nos humanos) e é habitualmente usado para medir animais quadrúpedes. Já o peso deste ungulado é de 15 a 35 quilos.

O que come

Trata-se de um herbívoro generalista, que consome uma grande variedade de plantas: folhas, rebentos de espécies arbustivas e arbóreas, salgueiros e loureiros, bagas e outros frutos de plantas lenhosas, herbáceas, flores e, menos frequentemente, fungos. 

… e que animais é que o comem

Lobo ibérico, raposas – estas comem apenas as crias de corço – e também cães assilvestrados.

Corço em Vale Florido, Ansião. Foto: Isa Teixeira

Onde vive e por quantos anos

Esta espécie prefere bosques de folhosas, coníferas, florestas mediterrâneas e campos agrícolas. Pode viver em média oito a nove anos, sendo a esperança de vida superior nas fêmeas.

Quantas ninhadas tem por ano

Tem uma ninhada por ano entre o final de maio e início de junho, com uma a três crias.

Quanto tempo dura a gestação

Dez meses.

Onde se pode encontrar em Portugal

Existem dois grandes núcleos de distribuição geográfica nacional do corço, um a norte e outro a sul do rio Douro. Mais concretamente nas serras da Peneda-Gerês, Amarela, da Cabreira, do Marão, do Alvão, de Montesinho, da Coroa e da Nogueira.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

Os seus membros posteriores são mais alargados e elevados do que os anteriores, tornando o corço especialmente adaptado para dar grandes saltos.

Qual é o seu papel na manutenção dos ecossistemas saudáveis

É uma importante espécie de presa para carnívoros como o lobo-ibérico em Portugal.


Autoria: Ana Beatriz Duarte

Ana Beatriz Duarte é bolseira do Departamento de Biologia da Universidade da Universidade de Aveiro no âmbito do projeto de revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos, e estudante de mestrado em Engenharia Zootécnica na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

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Espécies do Livro Vermelho: Curiosidades sobre o sacarrabos

O sacarrabos (Herpestes ichneumon) é um mamífero carnívoro que vive de norte a sul de Portugal Continental, com estratégias de caça e uma rapidez surpreendentes.

Quanto medem e pesam

Estes mamíferos carnívoros têm entre 46 a 54 centímetros de comprimento corporal e outros 36 a 45 centímetros de cauda. O peso varia entre 2 e 3,7 quilos.

O que comem

Este mamífero é generalista e oportunista, caçando a espécie mais abundante no seu habitat. A dieta é dominada por coelhos jovens ou micromamíferos, mas também pode incluir artrópodes, aves, anfíbios, répteis, crustáceos, frutos e cogumelos.

Que animais é que os comem

Sendo um mesopredador, o sacarrabos serve de alimento a predadores de maiores dimensões, como o lince-ibérico.

Onde vivem

Preferem habitats com maior cobertura vegetal como o maquis mediterrâneo espesso com estevas (Cistus sp.), lentiscos (Pistacia lentiscus), medronheiros (Arbutus unedo), azinheiras (Quercus ilex) e por vezes também pinheiros (Pinus sp.) e eucaliptos (Eucalyptus sp.).

Quantos anos vivem

A longevidade máxima registada em cativeiro foi de 20 anos.

Quantas ninhadas têm por ano e quanto tempo dura a gestação

O sacarrabos tem 1 ninhada por ano, com 2 a 4 crias. A gestação prolonga-se por menos de três meses, entre 72 e 88 dias.

Quais são as estratégias de caça

Estes mamíferos têm um comportamento exploratório subterrâneo que lhes permite invadir tocas (mamíferos) ou desenterrar presas (anfíbios). Têm também um comportamento de perseguição das presas (répteis) e de captura à superfície do solo (invertebrados).

Aproveitam os seus hábitos de escavação e exploração consoante os diferentes períodos de menor mobilidade física e de maior atividade ecológica de cada espécie predada, a fim de gastarem o mínimo de energia na captura dessas presas. Também caçam em grupo, tendo a particularidade de rodearem a presa, deixando-lhe assim poucas hipóteses de escapar.

Onde se podem encontrar em Portugal

Em toda a região mediterrânica de Portugal, e também de forma mais esporádica e fragmentada no restante território, que corresponde ao Noroeste do país. Este último está inserido na região biogeográfica eurosiberiana.

O que nos fascina e surpreende nesta espécie

O sacarrabos tem reflexos suficientemente rápidos para capturar ofídeos (cobras). 

Qual o seu papel na manutenção de ecossistemas saudáveis

Têm um grande impacto nas populações das suas presas (incluindo cobras e roedores), reduzindo o seu número.


Autoria: Marta Dias

Marta Dias é membro da equipa do projecto do Livro Vermelho dos Mamíferos. É estudante de mestrado de Biologia da Conservação, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com particular interesse no grupo dos mamíferos carnívoros.